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Nova economia para sustentabilidade de todos

Por Rodolpho Martins

Estou aqui, nesse momento, pensando e refletindo sobre o período atual que estamos vivendo. Em meio ao caos provocado pela explosão do coronavírus no mundo, já é possível perceber claramente o impacto desta pandemia na ECONOMIA MUNDIAL e na minha própria. Tenho amigos e amigas muito próximos vivendo realidades catastróficas, no que se refere à perspectiva financeira por causa do vírus. E, quando paro para pensar em soluções de curto, médio e longo prazos, dentro do sistema econômico mundial atual, tenho dificuldades de encontrar caminhos salutares.

Tudo isso me faz lembrar o início do MEU PERÍODO RECUPERAÇÃO após meu acidente, quando a minha rede decidiu, imediata e ativamente, agir em cooperação para eu estivesse bem novamente o mais rápido possível. Sem dúvida, essa mobilização permitiu a base da MINHA RESTAURAÇÃO, trazendo restabelecimento para mim não só física mas também emocional, social e financeiramente. Além disso, fui beneficiado com recursos e estratégias que se tinha até então. E, inclusive, recebi muita ajuda em dinheiro.

Mas, para muito além da quantia que recebi, vivi um período de PROFUNDA ABUNDÂNCIA, no qual minha família podia manifestar nossas necessidades e tudo era rapidamente conseguido por essa grande rede fraterna de amor e solidariedade. E, a partir daí, já em casa, mas sem condições de estar ativamente no meu trabalho, passei por um processo de identificação e reconhecimento das minhas virtudes, forças, talentos e dons para ressignificar a minha forma de ser, estar e atuar no mundo.

Nesta difícil tarefa, recebi ajuda e COOPERAÇÃO das minhas queridas amigas Cristiane Oliveira, Myrian Catello (@mycastello) e do meu grande irmão Marcello Danucalov. Descobri muitas coisas além do que fazia e isso me trouxe diversas possibilidades inimaginadas. Passei a dar aulas de português para estrangeiros em casa, pela internet, e essa nova atividade revelou-me muitos aprendizados.

Foi justamente por causa da minha impossibilidade de sair de casa que esta solução apareceu. Trago este contexto porque, aparentemente, estamos em um momento no qual, muito em breve, todos nós precisaremos ficar reclusos em nossas casas. E isso me faz pensar sobre NOSSAS VIRTUDES, FORÇAS, TALENTOS e DONS COLETIVOS para encontrar uma nova economia que permita a sustentabilidade de todos nós. Este momento pede uma profunda cooperação, solidariedade, empatia e, sobretudo, criatividade colaborativa para que juntos descubramos o que sozinhos nenhum de nós conseguirá descobrir.

Talvez, seja essa uma excelente oportunidade para RECUPERAR alguns MODELOS ECONÔMICOS que já foram sinalizados por algumas pessoas há algum tempo. Me recordo do meu amigo Charles Eisenstein que fala da Economia Sagrada ou Economia da Dádiva, ou seja, uma economia que resgata a fluidez das partilhas e ofertas do melhor de cada um de nós.

Muitos já realizam esta prática em seus cotidianos, embora o modelo ainda seja timidamente expandido em nossa cultura contemporânea. Claro, seria utopia imaginar esta economia como base mundial para uma nova maneira de nos relacionarmos. Mas, se olharmos com atenção para os princípios dessa dinâmica, claramente poderemos ver os recursos e talentos em circulação para além do dinheiro que trocamos. A ideia me agrada bastante e me parece ser bem necessária na atual circunstância.

Parece que a PROVIDÊNCIA DIVINA me permitiu ficar aqui na Terra, aprender com tudo isso e viver este momento como uma possibilidade de retribuir tudo aquilo que eu recebi durante os momentos mais difíceis da minha vida. De entender melhor a experiência da dádiva, aprender a viver submerso nela para, hoje, poder oferecer o meu melhor, desejando alcançar o melhor de todos ao meu redor. Não tenho dúvidas de que a cooperação foi fundamental, não só na recuperação da minha saúde, mas também da restauração da minha dignidade e do meu prazer em viver.

Confesso que ainda não sei o que fazer face à complexidade que vivemos, mas já sei que esse diálogo passará a ocorrer frequentemente nas nossas conversas, uma vez que a circulação de dinheiro será muito pouca, diante das poucas movimentações de trabalho que teremos nos próximos dias e meses. Vejo, também, que os movimentos online serão fundamentais e privilegiados. Por isso, toda e qualquer atividade pela internet estará em evidência e extremamente requisitada.

De toda forma, hoje, assim como aconteceu comigo, o mundo nos demanda uma nova maneira de nos relacionarmos, convivermos e lidarmos com este novo cenário.

Sendo assim, quais são as tendências dessa NOVA ECONOMIA que parece estar surgindo neste momento? O que você gostaria que estivesse presente nas nossas novas relações econômicas? Como a cooperação pode ajudar na construção de uma economia saudável e sustentável para todos?

E, assim, sigo cheio de in-quieta-ações e dúvidas, mas com a confiança de que estamos juntos nessa caminhada!!!

Por Rodolpho Martins, focalizador do projeto Cooperação.